terça-feira, 8 de julho de 2008

Pratique a corrida com segurança



A corrida de rua é uma das modalidades do atletismo que mais cresce no mundo, e não é por ser qualificada como tal que tem que ser praticada somente na rua.

Todo e qualquer esporte deve ser praticado com segurança para que traga benefícios para a saúde do praticante.

Atualmente, no mundo existe milhões de corredores que participam das provas pedestres nas mais variadas distâncias, diversas associações de corredores, e empresas de organização de eventos esportivos que reúne em muitas das competições, um público de até 100 mil corredores, como é o caso de uma prova de 12 K realizada anualmente em São Francisco, nos Estados Unidos.

Agora que esta chegando a corrida mais popular de nosso país, é comum vermos pelas ruas (literalmente na rua) vários corredores desafiando o espaço com os carros, ônibus e motos.

O corredor é um alvo fácil para os motoristas, que as vezes nem sequer percebe ao seu lado uma moto, ou ciclista, que dirá um pedestre desprotegido.

Seguindo os conselhos da engenharia de tráfico, as vias públicas são destinadas para veículos automotores (extremamente correto) e, os pedestres quando tem a necessidade de cruzar estas vias, devem se utilizar das faixas exclusivas para pedestres (evitando possíveis atropelamentos).

Hoje em São Paulo, morrem mais de 10 pessoas atropeladas por dia (você não quer fazer parte desta estatística), procure correr em locais que ofereçam segurança: como parques, centros esportivos, à beira mar (desde que a praia seja plana e não inclinada para evitar lesões nos joelhos e coluna).

Para se tornar um excelente correr de provas pedestres, não é necessário treinar todos os dias nas ruas, vejam por exemplo o queniano Paul Tergat, ex-recordista mundial da maratona e pentacampeão da São Silvestre (1995, 1996, 1998, 1999 e 2000), a maioria de seus treinos são realizados em trilhas na floresta e pista de atletismo (os treinos específicos de velocidade), em rua sua participação se restringe somente as competições.

Outro exemplo é o mexicano naturalizado americano e bi-campeão da São Silvestre Arturo Barrios (1990 e 1991), que mora e treina em Bolder no Colorado, uma região montanhosa que favorece na preparação de atletas de longa distância. Arturo Barrios era um especialista em corridas de rua, que se tornou recordista mundial dos 10 mil metros em pista, com o tempo de 27min08, média de 2min43 por quilometro.

Siga o exemplo destes campeões, faça da corrida um esporte seguro.

Wanderlei de Oliveira

segunda-feira, 7 de julho de 2008

TEMPO RUN - 5 K


Método moderno de treinamento, onde se estabelece a distância a ser percorrida e os tempos de passagens por quilometro.
Exemplo: 5 K de forma contínua (sem paradas).
É um excelente treino para se trabalhar com monitor cardíaco como auxílio no controle da freqüência cardíaca e ritmo de corrida.

CORRA COM O RELÓGIO NAS PERNAS
Esta expressão do famoso técnico português, Mário Moniz Pereira (técnico de Carlos Lopes, campeão e recordista olímpico com 2h09min e Fernando Mamede, ex-recordista mundial dos 10.000 metros), simboliza bem o sentido exato de se ter a noção do ritmo que se pretende desenvolver em uma prova.

AVALIE SEU CONDICIONAMENTO FÍSICO
O melhor indicativo de sua atual condição física: - sempre será o seu desempenho nos treinos.
Observe o seu comportamento no TEMPO RUN de 5 K.
· Os primeiros 2.5 K tem que ser igual ou mais rápido (no máximo 30 segundos) em relação a segunda metade.
· Se você iniciar muito rápido, corre o risco de parar nos próximos quilômetros.
· Caso esteja correndo mais rápido em treino (tempo real) do que nas provas, é sinal de que esta fazendo algo errado (verifique o tempo estipulado e consulte seu técnico).
Conduza o seu treino com inteligência caso esteja correndo em temperaturas altas e umidade relativa do ar superior a 80%, fatores determinantes para uma possível queda no rendimento.

Wanderlei de Oliveira

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Apagão aéreo


Cada hora inventam um apagão, agora foi a vez da internet.

A crise em que vivem as companhias aéreas geraram sérios transtornos as pessoas que precisam desse tipo de transporte para negócios, viagens e lazer.

Perde-se muito tempo nos aeroportos.

Certa ocasião, quando isto não era comum. Fui obrigado a fazer um pouso forçado no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos. Ao ser informado que ficaríamos mais de 3 horas parado, como bom corredor, sempre carrego uma mochila com tudo que é necessário para o treino.

Tinha calculado que ao chegar ao destino, daria tempo para correr em algum parque próximo ao hotel. Com a parada que não estava programada, chegaria somente à noite. Para não perder o dia de treino, fui até a polícia federal e perguntei se poderia correr dentro do aeroporto. Disseram que não. Aí fiz outra pergunta, e lá fora? Pode. Mas não cruze a pista de pouso e decolagem. Ok.

Em todos os aeroportos há locais para guarda volume e chuveiro. Deixei a mochila guardada e fui correr na pista.

Como ia demorar muito corri 90 minutos.

Foi uma sensação diferente, ver os aviões bem próximos. Ficava imaginando o que os passageiros deveriam estar pensando ao ver pela janela um sujeito correndo próximo à pista. Será que ele acha que pode voar.

Terminei tranqüilo. Alonguei. Tomei banho. E ainda deu tempo para um lanche antes de embarcar em nova aeronave.

Em todas as viagens internacionais, 48 horas antes, costumo pedir um cardápio especial para maratonista: - massa, verduras, frutas e sucos. A digestão é mais rápida e dá para tirar uma soneca. O bom disso é que você sempre é servido primeiro e os outros passageiros ficam pensando que você é um doente e requer atenção especial. Somos todos especiais. Só que poucos sabem disso. É um direito de todo passageiro.

Na crise aérea ou da internet, consulte sempre um corredor.

Wanderlei de Oliveira

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Atletismo Fashion Week

Há poucos dias na capital de São Paulo aconteceu uma das mais badaladas festas da moda internacional: - a São Paulo Fashion Week. Várias grifes famosas cada uma com sua top model, que desfilaram na passarela montada no Parque do Ibirapuera. Ao lado, na pista de atletismo do Conjunto Desportivo Constäncio Vaz Guimarães outros artistas, com os corpos mais definidos, exibiram as novas tendências do mundo esportivo no 27o. Troféu Brasil Caixa de Atletismo, organizado pela CBAt - Confederação Brasileira de Atletismo e pela FPA - Federação Paulista de Atletismo. O que chamou a atenção dos espectadores foram estas sapatilhas coloridas usadas para a prova dos 100 metros rasos. A foto é da jornalista e maratonista Fernanda Paradizo. Para cada tipo de prova, existe uma sapatilha especial. Os corredores de 800 e 1.500 metros usam as sapatilhas com uma proteção no calcâneo e pregos de 4 a 6 milímetros na frente e no máximo 6 pregos em cada sapatilha, normalmente são 4. Os velocistas, da foto que ilustra este blog, tem 6 pregos de 6 à 9 milímetros em cada sapatilha. Já os lançadores de dardo, usam uma bota especial com pregos na frente e atrás para evitar um escorregão na hora de frear o movimento para o lançamento do dardo. Isto se a pista de atletismo for de tartã, marterial sintético especial utilizado nas principais competições internacionais. Como existem muitas pistas no interior de São Paulo e do Brasil de carvão, terra, areia, os pregos utilizados são bem maiores para que possam ser bem fixados nesse tipo de piso.Quanto as roupas, as fotos da Fernanda dizem tudo.As nossas principais estrelas, Maurren Maggi com 6m99 no salto em distância e a Fabiana Muher que estabeleceu novo recorde sulamericando de 4m80 para o salto com vara, provaram que "fashion" foram os resultados.

Wanderlei de Oliveira

terça-feira, 1 de julho de 2008

Gabrielle Andersen - Los Angeles 84


Sem dúvida um dos melhores Jogos Olímpicos de todos os tempos.

Vários fatos se tornaram memoráveis na maratona.

O português Carlos Lopes poucos dias antes de embarcar para Los Angeles nos Estados Unidos, foi atropelado próximo ao Estádio José Alvalade. Ele saiu da pista de atletismo do estádio em direção a uma quinta (bosque) que ficava à cerca de 2 quilômetros. Ao cruzar a rua antes de entrar no bosque foi atropelado por um carro. Como bom português, brigou com o sujeito que pediu mil desculpas quando viu quem era. Lopes é um ídolo em Portugal. Também não é para menos, foi tri-campeão mundial de cross-country (76, 84, 85) corta-mato para os portugueses. Recordista Mundial da Maratona em Roterdã com 2h07min12. Bi-campeão da São Silvestre (82, 84), ainda é dele o recorde da maratona olímpica com 2h09min em Los Angeles 84. A temperatura nesse dia era de mais de 28 graus. Lopes correu até o quilometro 37 no segundo pelotão, somente assumiu a liderança nos últimos 5 K, para vencer com um tempo abaixo dos 15 minutos. Ele estava com 37 anos.

A primeira maratona olímpica feminina foi realizada em 1984, em Los Angeles, e a vencedora foi à norte-americana, Joan Benoit Samuelson. com 2h24min52. No dia 16 de maio ela completou 51 anos e continua correndo. Dezessete dias antes da maratona olímpica, Benoit fez uma cirurgia no joelho e se recuperou fazendo o deep-running (corrida na piscina com flutuador sem impacto).
Mais o fato que mais chamou atenção do mundo foi à chegada da suíça Gabrielle Andersen-Scheiss, na época com 37 anos. Devido ao forte calor, ela se desidratou, porém por ser uma atleta experiente, os médicos a acompanharam até cruzar a linha de chegada na 37a. colocação com 2h48min42. Muitos acham que ela foi a última, mais não. Logo depois veio a Eleonora Mendonça única representando do Brasil. Aí sim, vieram várias outras mulheres com tempos acima das 3 horas. Gabrielle no dia 20 de março fez 63 anos, continua correndo nos Estados Unidos onde mora. Até os Jogos Olímpicos de Los Angeles era instrutora de esqui na Suíça, após seu sucesso na maratona foi convidada para trabalhar em Idaho nos EUA.

Wanderlei de Oliveira

terça-feira, 24 de junho de 2008

“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”


Foi a primeira frase que pensei ao cair na VII edição do Circuito Montanholi em Morungaba no sábado dia 21 de junho.
O paulista Paulo Vanzolini é o autor da letra do samba “Volta por cima” de 1962, que ficou famosa na voz do cantor Noite Ilustrada. Vanzolini é médico formado pela Universidade de São Paulo com especialização em zoologia na Universidade de Harvard nos Estados Unidos. Zoólogo mundialmente respeitado por seu trabalho no Instituto Biológico e no Butantã é um dos principais nomes da música popular brasileira, autor da belíssima canção: - Ronda.
Na descida do circuito após o quilometro doze, ultrapassei o Nilton Maia que momentos antes informou que iria parar no décimo quarto quilometro por estar sentindo dores musculares devido ao curso de montanhismo que esta fazendo nos finais de semana. Como meu objetivo era fechar em 1h45, que é a média dos últimos anos (já completei cinco edições, parei em 2005 quando o circuito foi realizado após a Maratona de Roterdã e não estava totalmente recuperado), começaria a imprimir um ritmo mais forte a partir do segundo trecho da prova. O Nilton Maia, solidário como sempre tentou me ajudar na queda mais não era possível fazer nada. Como havia um carro ao nosso lado descendo junto enquanto eu rolava morro abaixo, o que pude fazer foi soltar o corpo e empurrar o chão com a mão esquerda para deslocar meu corpo para a direita e evitar um acidente mais grave. É preciso estar sempre atento, isso é um lema constante no meu dia-a-dia, não sei como caí, não tropecei em nada. De repente esta me ralando nas pedras da estrada de terra. Levantei rápido. Aí vi o estrago que fez, escoriações nos dois joelhos, um buraco na mão esquerda. Hematomas na perna esquerda até altura da bacia. Como dizem os americanos: “no pain, no gain”. Falei para o Nilton seguir em frente. E ele foi até o final, ainda ajudou a Ana Luiza dos Anjos Garcez a completar a prova (ela sempre que parar) e sempre para. Na hora da festa, o Nilton confessou que dedicou a prova para o seu técnico.
Um belíssimo gesto de companheirismo.
A Patrícia Rodrigues Vismara, minha esposa ao me ver na ambulância sendo atendido pelos médicos, ficou preocupadíssima. Pedi a ela para continuar que estava tudo bem. Ela estava em um bom momento da competição, solta, forte e confiante. Principalmente pelos vários treinos específicos realizados nos últimos dois meses para a prova (Campos do Jordão, Guarujá, Aldeia da Serra e também no próprio circuito em Morungaba). Saí da ambulância andando e um dos médicos vinha atrás me acompanhado. Não pensava em completar a prova. Pretendia caminhar até o Sítio Santa Clara e ficar na torcida pelos amigos. A Patrícia deixou de fazer uma excelente prova para ficar ao meu lado. Nesse momento passava a Fernanda Paradizo que acompanhava do carro madrinha fotografando e o José Carlos Romanholi - correndo, ao me ver todo ralado, sujo, gritou para o motorista do carro me pegar e levar para a base do posto médico que estava no Sítio.
A foto acima foi tirada momentos antes do acidente. O carro que estava atrás de nós com o pessoal de marketing do Frigorífico Marba, quase me usou como matéria prima para a produção de presunto (foram eles os primeiros a prestarem socorro e me levar para o posto de atendimento médico no quilometro treze). Como disse o montanhista e corredor Enzo Ebina, seria um “presunto magro”. Brincadeiras à parte, ainda na letra do Paulo Vanzolini – “reconhece a queda e não desanima, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima!”.
Agradeço a todos pela manifestação de carinho e aproveito para citar uma mensagem oriental que recebi da Dra. Selma Nakakubo (campeã da primeira edição do Circuito Montanholi em 2002): “Um tombo sempre nos abre os olhos para um outro lado que deixamos de prestar a atenção, depois dele sempre melhorará”.
Quiô-tsuque-tê!

Wanderlei de Oliveira

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mulheres corredoras – Como tudo começou



Desde que a americana, Kathrine Switzer, correu a Maratona de Boston em 1967, disfarçada de homem, e quebrou o tabu, de que as mulheres “não tinham força e resistência para correr os 42.195 metros", as mulheres não pararam mais de aderir ao movimento de saúde e qualidade de vida, através da caminhada e corrida.

A primeira maratona olímpica feminina foi realizada em 1984, em Los Angeles, e a vencedora foi à norte-americana, Joan Benoit Samuelson.

Tanto Kathrine Switzer, diretora da Avon e criadora do Circuito Mundial de Corridas da Avon, que teve início nos anos 80 e, Joan Benoit Samuelson, empunharam a bandeira de levar avante os benefícios da prática da corrida para as mulheres, com o objetivo de eliminar o sedentarismo e a promover a saúde.

Por vários anos ao redor do mundo, nas principais capitais, foram realizadas a AVON RUNNING, circuito com provas de 10 K de corrida e 5 K de caminhada.

Em 1998, período de maior crescimento da Avon Running mais de 200.000 (duzentas mil) mulheres participaram do evento.

Wanderlei de Oliveira