quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Correr atrasa efeitos do envelhecimento


Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere que correr com freqüência pode retardar os efeitos do envelhecimento. A pesquisa analisou 500 idosos com mais de 50 anos que tinham o hábito de correr, durante um período de 20 anos e comparou a saúde e bem-estar físico desses participantes com um grupo similar de não-corredores.

Depois de 19 anos, os pesquisadores da Stanford University Medical Center identificaram que 34% dos idosos que não corriam haviam morrido, comparados com apenas 15% entre os que corriam com freqüência.

A pesquisa, publicada na edição desta semana da revista científica Archives of Internal Medicine, observou ainda que ambos os grupos passaram a ter mais deficiências físicas com o passar dos anos, mas o início destas deficiências começou 16 anos mais tarde para aqueles que praticavam a corrida.

"O estudo tem uma mensagem que incentiva o exercício. Se você precisa escolher uma coisa para fazer as pessoas ficarem mais saudáveis enquanto envelhecem, seria o exercício aeróbico", afirmou o professor James Fries, principal autor do estudo.

Benefícios
No início da pesquisa, em 1984, os idosos do grupo dos corredores corriam cerca de quatro horas por semana. Depois de 21 anos, o tempo de corrida diminui para 76 minutos semanais.

Segundo o estudo, mesmo com a redução do tempo, os idosos puderam sentir os benefícios da prática do exercício na saúde e a diferença entre a saúde dos idosos corredores e não-corredores foi observada mesmo depois que os participantes passaram dos 90 anos de idade.

Além de diminuir o batimento cardíaco e as mortes relacionadas com problemas arteriais, a prática da corrida também foi associada com uma redução no número de mortes prematuras causadas por doenças neurológicas, câncer e infecções.

Os pesquisadores analisaram ainda os possíveis danos que correr com freqüência poderia causar nos idosos, como problemas nos ossos ou juntas. No entanto, a pesquisa sugere que não encontrou provas de que os idosos corredores tinham mais chances de sofrer com osteoporose ou problemas no joelho do que os não-corredores. Segundo Fries, os benefícios do exercício físico "são maiores do que o esperado".

Vida saudável
A ONG Age Concern, que trabalha com idosos, afirma que muitos não praticam exercícios o suficiente. De acordo com a instituição, os dados revelam que mais de 90% dos idosos britânicos com mais de 75 anos não seguem a indicação de praticar meia hora de exercícios moderados pelo menos cinco vezes por semana."A pesquisa reconfirma os claros benefícios dos exercícios regulares para os idosos", disse o diretor da ONG, Gordon Lishman.

"O exercício ajuda os idosos a continuarem móveis e independentes, garante a saúde cardíaca, mantém o peso e os níveis de estresse sob controle e ajuda a melhorar o sono", afirmou.

"Enquanto os jovens recebem bastante incentivo para levar um estilo de vida saudável, as necessidades de saúde dos mais velhos são normalmente negligenciadas", concluiu. BBC Brasil

Reportagem da BBC de Londres

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Saúde dos pés


Fique de olho neles. Afinal, sem eles você não vai a lugar nenhum

Existem três formas distintas que são qualificados os praticantes de corrida a pé (porem com tênis) quanto ao modo de pisar no solo (fase de apoio), que são:

Pronadores
- quando o apoio do pé no solo é para o lado interno. Segundo pesquisas do American College of Sports Medicine, mais de 80% dos praticantes de corrida são pronadores.

Supinadores
– quando o apoio do pé no solo é para o lado externo.

Neutro
– quando o apoio do pé no solo é distribuído de forma uniforme.

Nem sempre gastar o sapato ou tênis do lado externo significa que você seja um supinador. Segundo a lei da física e biomecânica (ciência que estuda o movimento do corpo), quando andamos ou corremos, o primeiro contato com o solo é a borda externa do calçado (daí o gasto mais acentuado nessa região). O que caracteriza a forma de pisar é quando transferimos o peso do corpo por completo para o pé de apoio (em contato com o solo). Essa avaliação é mais precisa se for feita por um especialista em biomecânica ou por meio de testes mais complexos, com aparelhos que medem o impacto dos pés no solo e sua distribuição de força e peso.

Tanto os pronadores quanto os supinadores devem manter o hábito constante, antes e após aos treinos, de fazer alongamentos específicos para a região da panturrilha, tendão de Aquiles e tornozelo, como forma de prevenção e de fortalecimento, evitando assim futuras lesões nos pés, tornozelos, joelhos, bacia e até coluna.

Por segurança, use o tênis adequado à sua forma de pisada no solo, para evitar problemas no futuro.

Dicas importantes para a saúde de seus pés

Todo corredor teima em dizer que gosta mais dos tênis velhos.
Aí que mora o perigo.

Larga deu, chulé: quem gosta de coisa antiga é museu, é lá que deve ficar seu velho e surrado tênis. Ou melhor, doe-o para o lixão.

Pé inchado: compre sempre um ou dois números acima do convencional, pois, durante a corrida, os pés incham. Se não houver espaço livre para os mesmos relaxarem, pode ocorrer a perda de várias unhas, o que não é nada agradável.

Dê um tempo: cada tipo de tênis, independentemente de marca ou sistema de absorção, demora em média 48 horas para voltar ao normal seu sistema de amortecimento. O impacto de cada pé no solo corresponde ao triplo do peso de seu corpo em percurso plano, chegando a quadruplicar na descida (por exemplo: para uma mulher de 50 quilos, o impacto no solo durante a corrida corresponde a 150 quilos de carga em cada pé). Por isso, tenha sempre no mínimo 4 pares de tênis superacolchoado e em bom estado para revezá-los.

Pisando nas nuvens: sinta o conforto de um modelo novo e acolchoado. Você vai se sentir correndo nas nuvens. Tenha o cuidado de amaciá-los antes de uma prova longa, pois poderá se sentir “pisando em brasas”.

No bagaço: o tempo de vida útil de cada tênis é de aproximadamente 500 quilômetros. Não use além dessa quilometragem, que poderá acarretar sérios problemas ortopédicos, podendo até interromper a prática do esporte.

Peso leve - tênis de competição, como o próprio nome já diz, é somente para ser usado em provas e treinos técnicos em pista de atletismo (jamais deve ser usado em treinos de rodagem ou mesmo para o aquecimento antes dos treinos de pista ou competições). Esse tipo de tênis foi criado para alta performance, sendo recomendado apenas para atletas que desejam obter resultados de alto nível técnico. Portanto, seu uso é adequado para pessoas de até no máximo 65 quilos. Existem no mercado tênis que suprem essa necessidade para corredores (as) que estejam acima desse peso, e que exercem a mesma função. São chamados T/C - treino e competição, porém muito mais acolchoados.

Unha de gavião - mantenha as unhas dos pés sempre aparadas (semanalmente ou no máximo a cada 10 dias). Mesmo com uma proteção extra na frente dos tênis, se as unhas estiverem longas, elas podem ficar sensíveis com a pressão dos pés dentro dos tênis durante a corrida.

Batendo uma bolinha: fazer massagem com bolinha de tênis ou de borracha todos os dias é uma forma eficaz de relaxamento dos pés. Eles vão agradecer.

Wanderlei de Oliveira

domingo, 3 de agosto de 2008

Deus ajuda quem cedo madruga


Para o filósofo Lúcio Sêneca o bom uso do tempo é a chave da felicidade.
Sêneca nasceu em Córdoba, na Espanha em 4 antes de Cristo e morreu em Roma em 65 d.C. Político e conselheiro do Imperador Nero. Outro pensamento do sábio filósofo era: - “quem persevera sempre alcança”.
Compartilho dessa filosofia e a coloco em prática.

4 horas de manhã.
Ouço o barulho da chuva batendo na janela do quarto. Antes de o galo cantar pela segunda vez, levanto. Faço a seqüência do “Súrya Namaskára”, saudação ao Sol e o Zazen (meditação). Às 5 horas tomo o suco antioxidante que eu mesmo preparo na hora e a vitamina energética. Um breve descanso após o desjejum. Pronto. Saio para correr.
Em 1966 iniciei na pratica do atletismo por incentivo de meu pai. Mas foi somente em 1980 que comecei com essa rotina diária que dura até hoje.

6h14 da manhã. Terceiro dia de agosto de 2008. Domingo chuvoso, façamos um brinde a natureza, pois há mais de trinta dias não éramos abençoados pela água. Parque do Estado de São Paulo. Uma corrida zen entre as palmeiras reais, pau-brasil, palmitos nativos, jacus, marrecos e vários pássaros que habitam o Jardim Botânico. Completamos 2.357 quilômetros, duzentos e trinta e oito dias (desde o primeiro dia de janeiro deste ano). A média esta em 9,9 quilômetros por dia. O acumulado desde 1966 esta em 74.422 quilômetros. Uma volta ao redor da Terra tem 39,840 quilômetros pela linha do Equador.

Wanderlei de Oliveira

terça-feira, 29 de julho de 2008

"O objetivo, a prática, o entusiasmo conduzem à vitória”


Acompanho o belíssimo trabalho da Monja Coen há muitos anos. Cada encontro, um reencontro.
Parece que somos amigos de longas datas. No dia 13 de janeiro de 2008, a Patrícia Rodrigues Vismara o Nilton Maia e eu fomos até a Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, ao lado do Estádio do Pacaembu, interessados em conhecer o Zazen.

Antes de iniciarmos a prática, um de seus discípulos pacientemente explicou a todos como proceder antes de entrar no Templo Tenzuizenji. As posições das mãos. Como entrar. Em qual dos lados da porta de acesso ao Templo entrar. Como andar. Onde sentar. Como sentar. Que roupa usar. Como respirar. E depois de tudo isso ficar quieto. Não que todos já estivessem falando. Entramos quietos e saímos calados. O Zazen é isso. Relaxar na postura sentada com as pernas cruzadas, de frente para a parede. Respirar pausadamente. Alinhar a postura. As mãos pousadas uma sobre a outra confortavelmente abaixo do umbigo, formando um círculo com os polegares. Esta é a posição do mudra cósmico. Vinte minutos em silêncio, fazendo uma contagem mental da respiração. Após, calmamente nos levantamos e iniciamos a “Caminha Zen”, criada pela Monja Coen. A cada passada uma respiração. Caminhamos em fila indiana, formando um círculo, até retornarmos ao ponto de partida. Mais dez minutos de Zazen. Isso é meditar.

Silenciosamente, a Monja Coen passa por nós e se senta à nossa frente. Observa cada um que está no Templo. Sorrindo, saúda a todos. No dia 14 de janeiro ela completou 25 anos que se tornou Monja. Em 1983 morava em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ela esclareceu uma dúvida freqüente sobre o Zen. “Ser Zen não é estar à toa, sem fazer nada. Ser Zen é estar presente. Ativo. Participativo. “Compromissado”. Ela também comparou a prática do Zazen com o treinamento de um maratonista. “Exige disciplina diária, paciência, persistência. Quando vem o cansaço no quilômetro 30, temos que tirar uma força extra de dentro e seguir em frente. Até a linha de chegada. Ter um objetivo definido – é essa força que faz com que você não pare no meio do caminho. O objetivo, a prática, o entusiasmo conduzem à vitória.”

Prontos para irmos embora, sorridente como sempre, a Monja Coen nos chamou e nos ofereceu algumas mensagens escritas em japonês de bênção e proteção.
Disse também que se lembra de mim freqüentemente. Em 2006, a Patrícia, que tem como hobby artesanato em madeira e biscuit, me usou como modelo e fez uma lembrancinha oferecida aos amigos em meu aniversário. A Monja guardou. Quanta honra!

Wanderlei de Oliveira

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A Vida é passageira, ligeira.


Viva Zen, reflexões sobre o instante e o caminho (Publifolha 2004) é o primeiro livro da Monja Coen. Viver Zen ensina a mestra, “não é só ficar bem”. É um modo de começar a mudar, de recontar a história aproveitando cada instante. “Mudar o mundo ternamente requer viver zen”. Monja Coen Sensei é missionária oficial da tradição Soto Shu Zen-budismo, com sede no Japão, e é a Primaz-Fundadora da Comunidade Zen-budista, criada em 2001, com sede no Pacaembu, bairro de São Paulo.

Ofereço este texto extraído do livro Viva Zen à todos que buscam a evolução física e espiritual.
“Um viajante solitário caminhava por entre as curvas de uma trilha nas montanhas quando ouviu um som estranho às suas costas. Virou-se. Um tigre feroz corria em sua direção. O viajante disparou numa corrida sem saber para onde ia. Parou em um precipício pensando que ali terminaria sua vida.

Oh! Graças. Havia um cipó. Pendurou-se no meio do abismo, escapando da boca do tigre. Logo notou que as mãos eram fracas e não suportariam por muito tempo o peso de seu corpo. Olhou para baixo: havia uma enorme cobra esticando a língua. Tentou encontrar apoio na rocha para se escorar. Havia quatro serpentes menores. Tremendo e assustado, olhou para cima: dois ratos, um branco e outro preto roíam o cipó no qual se prendia.

Tremia o viajante, tremia e tremia. Foi nesse instante que, de uma colméia a cerca de dois metros acima, caiu uma gota de mel em sua boca entreaberta. Esqueceu-se de tudo, do perigo, da morte. Ficou embriagado por uma gotinha de sorte:

Ah! Como é doce.

Esse é um conto budista da Índia antiga. Explica que o viajante é o ser humano. A trilha na montanha é a vida. Vamos caminhando despreocupados. No entanto, persegue-nos um tigre esfomeado.

O tigre é o carma, lei inexorável de causa e efeito, de ações, condições e resultados...O que nós fizemos, mesmo lá no passado, nos persegue e pode nos devorar...Não apenas cada um de nós, mas há o que se chama de carma coletivo.

Buda recomendava aos monges que meditassem para se livrar do apego aos sentidos. A vida é passageira, ligeira. Não percam tempo, despertem. Sem fugir do carma, consertem, que jeito ainda tem. Arrependam-se e acertem-se. Compreendendo, ouvindo e respeitando as pessoas.

Cada um de nós tem de refazer o voto de ser todo o bem. Crie um tigre manso, brincalhão, que se joga no chão com as patas para cima pedindo apenas um afago “.

Wanderlei de Oliveira

terça-feira, 22 de julho de 2008

O prazer de viver


Na entrevista do maître maratonista Oswaldo Silveira concedida ao programa “Ciranda da Vida” onde a entrevistadora, uma psicóloga lhe perguntou qual sua fonte de inspiração? Sem titubear o senhor Oswaldo respondeu “o prazer de viver”, “ter perspectiva de vida” e “viver com qualidade”, “servir ao próximo”. Sábias palavras desse filósofo que sabe realmente viver a vida, que em oito participações dos 10 K da Tribuna em Santos, considerada a prova mais rápida do Brasil, foi o vencedor por cinco vezes e chegou na segunda colocação nas outras três.
Uma excelente média para um homem de 78 anos que não se sente satisfeito por ter completado a última edição dos 10 K em 50 minutos. “Podia ter ido melhor se não me atrapalhasse na largada” afirmou ao término da prova. Em novembro de 2007 foi o segundo colocado na Maratona de Nova York com direito a homenagem do Clube de Corredores de Nova York – NYRRC.

Estou melhorando a cada ano

É interessante ouvir isso de um jovem atleta que acaba de completar 20 anos de treinos ininterruptos. A cada dois meses ele participa de competições de 5.000 metros ou do time-trial de 5 K. Em março do ano passado, ele completava a distância em 22min26seg. Um ano depois no dia 16 de março concluía em 21min39seg e apenas quatro meses após no dia 07 de julho estabelecia em treino seu melhor resultado em 20min59seg. A idade deste jovem, hoje é de 67 anos. Se alguém lhe perguntar qual o seu nome, ele diz: Paulo, por economia. Para os amigos do atletismo é o popular “Dodô”. Seu verdadeiro nome é Valdomiro Paulo Cocato.

Corri bem, mesmo no calor de 42 graus!

Em tempo das festividades dos 100 anos de imigração dos japoneses no Brasil, uma nissei é o símbolo desse povo de garra, determinação, disciplina. A famosa Mítico Nakatani, campeã do mundo na maratona (42.195 metros), recordista brasileira em várias provas é um exemplo de persistência. No 14º. Campeonato Brasileiro de Atletismo Máster realizado de 17 a 19 de julho na Vila Olímpica de Manaus, no Amazonas, nem o intenso calor de 42 graus e problemas intestinais a impediram de correr os 10 mil metros em pista para 65 minutos, os 8 quilômetros de cross-country com direito a pular valas e subir morros com o tempo de 43 minutos e para fechar com chave de ouro os 3 quilômetros de marcha atlética em 21 minutos. Em todas as provas ela conquistou a medalha de ouro e o título de Campeã Brasileira Máster.

Esses atletas são exemplos de que com um trabalho sério, planejado, organizado – é possível evoluir sempre com saúde e qualidade de vida.

Wanderlei de Oliveira

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Acabe com a depressão...


Correndo!
O estresse diário tem levado cada vez mais pessoas ao estado clínico de depressão (abatimento, tristeza, melancolia) e conseqüentemente a ingerirem grandes quantidades de antidepressivos que acabam afetando outros órgãos do corpo causando novas doenças.
Pesquisas apresentadas na 55a. edição do American College Sport of Medicine (Colégio Americano de Medicina Esportiva) realizada em Indianápolis, Indiana nos Estados Unidos de 28 a 31 de maio deste ano, demonstraram que a corrida pode acabar com a depressão.
Os cientistas acompanharam vários grupos, os que tomavam remédio e os que praticavam exercícios aeróbios (corrida) cinco vezes por semana com intensidades de média a forte. Os resultados apresentados demonstraram que o grupo de corredores se recuperaram mais rápido e ao final do estudo se sentiam com mais energia, entusiasmo e nova perspectiva de vida.
Mas cuidado, não vai sair por aí correndo feito um louco. Procure o seu médico, faça uma bateria de exames laboratoriais, ortopédico, dentário, oftalmológico e principalmente o teste ergométrico para saber como seu coração reage ao esforço físico. Com os exames na mão e o atestado médico comprovando que esta apto para a pratica esportiva, vá a um Clube de Corredores ou Federação de Atletismo de sua cidade e peça a indicação de um profissional com experiência comprovada em orientar praticantes de corrida de rua.

A corrida é um santo remédio!

Wanderlei de Oliveira