quinta-feira, 19 de junho de 2008

Duro no treino, fácil na prova!


Assim dizia o tcheco Emil Zatopek, campeão da São Silvestre em 1953, medalha de ouro nos 5, 10 mil metros e na maratona nos Jogos Olímpicos de Helsinque na Finlândia em 1956, sendo o único atleta na história a vencer as três provas em uma mesma olimpíada, além de ser o recordista mundial em mais de vinte ocasiões.

Muita coisa mudou nos últimos 30 anos no que diz respeito à tecnologia como auxílio ao treinamento e competições. Mas a essência dos resultados nas provas é baseada nos princípios naturais: - do treinamento diário com volumes de treino em locais que favoreçam o aumento da taxa de hemoglobina (glóbulos vermelhos) responsável pelo transporte de oxigênio e conseqüentemente maior energia e desempenho nas provas de longa duração; além do treino técnico em pista de atletismo para aprimorar a resistência a velocidade.

Quando um atleta apresenta péssimos resultados em competições é porque ele não realizou sua preparação de forma inteligente, organizada, planejada e de acordo com suas características.Se você se enquadra neste perfil tem que redefinir melhor a sua estratégia na preparação.Jamais, vá para uma prova de longa distância, sem estar devidamente autorizado pelo seu médico, ou mesmo, não tenha passado por exames médicos anteriores.
Não corra o risco de ficar pelo caminho, ou mesmo chegar ao final – literalmente morto.

Wanderlei de Oliveira

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hábitos dos americanos



Em 1992, estava na cidade de Nova York, nos Estados Unidos para correr a minha segunda maratona (42.195 metros). A prova sempre é realizada aos domingos. Devido ao fuso horário na época de 3 horas a menos, sigo as recomendações dos fisiologistas que pesquisam o corpo humano e chegaram a conclusão de que o organismo precisa de um dia de adaptação para cada hora de fuso. Sendo assim, sempre saio do Brasil na terça-feira para chegar na quarta e ter tempo suficiente para “entrar no fuso”. Com a experiência de várias viagens internacionais em países como Japão, Rússia, África, sempre para competições, procuro chegar com muita antecedência para não ter que dar desculpas que foi o “fuso” que atrapalhou a performance. A primeira coisa que faço é deixar as malas no quarto do hotel e sair para correr. O corpo entra rápido no fuso e seguir o horário local das refeições. Não tem erro!

Outra coisa também importante é durante o vôo, beber muita água e fazer movimentos constantes para evitar o “jet leg” ou inchaço das pernas.

Era uma sexta-feira na fria manhã nova-iorquina. Final de outono. 6 horas. Ninguém na rua. Os termômetros registravam dois graus negativos. A sensação era de bem menos devido ao vento. Saio para correr equipado de running tigh (leg), luva, camiseta de algodão, blusa de moletom, touca (nessa época usava cabelo). A TV Globo fazia uma reportagem para mostrar os hábitos do povo americano, que levanta cedo, pratica esporte no Central Park e depois vai para o trabalho. O Hermano Henning, correspondente internacional da Rede Globo de Televisão, estava com a equipe filmando os poucos corredores que passavam no reservatório, que é um circuito de dois quilômetros em terra ao redor do posto de abastecimento de água de Manhattam. Ele dizia, “estamos aqui no Central Park para mostrar os hábitos dos americanos”. Exatamente nesse momento passei correndo e ele disse, “este aqui é um americano típico”. Essa gravação foi apresentada no Fantástico. Meus familiares quando assistiram acharam engraçada a coincidência.

Coincidência ou não – tanto lá quanto cá, continuo correndo e mantendo este hábito saudável.
No recém lançado filme "Sex and the City" a personagem Charlotte York representada por Kristin Davis, é uma típica corredora novaiorquina, vale conferir.
Keep moving!

Wanderlei de Oliveira

terça-feira, 17 de junho de 2008

Cabeça quente e pé na estrada


São Paulo (SP) – Nos últimos dias, a capital paulista tem registrado temperaturas na casa dos 12 graus às 6 horas da manhã e 20 graus ao meio-dia. Na próxima sexta-feira, dia 20 de junho, entraremos na estação mais fria do ano, o inverno e, alguns cuidados devem ser tomados pelos praticantes da corrida:

Efeito sanfona: no frio o risco de engordar aumenta, devido à ingestão de alimentos de alto teor calórico. Procure manter uma alimentação balanceada, bem parecida com a que você consumiu no verão.

Deixe a preguiça de lado: se você está habituado a se exercitar pela manhã, mas, no frio pensa duas vezes antes de se levantar da cama quente, mantenha a rotina, porém, previna-se contra o frio.

Resistência em alta: todos sabem que a atividade física regular aumenta a resistência orgânica, prevenindo de gripes, osteoporose, doenças cardíacas. Consuma neste período alimentos ricos em vitamina C, como laranja, acerola, mamão papaia, brócolis, morango, kiwi. Vale também reforçar a ingestão de alimentos que contenham vitamina E (potente antioxidante que combate os efeitos dos radicais livres): germe de trigo, amêndoa, gema de ovo.

Proteja o seu corpo: use roupas especiais para o inverno e dê preferência para os tecidos de performance, como os tecidos inteligentes: termo air, suplex, e dri-fit (que mantém a temperatura de seu corpo enquanto você corre e transpira, sem encharcar a camiseta). A região de seu corpo que merece maior atenção é a do peito, por reunir vários órgãos vitais. Mantenha-o sempre protegido. Extremidades, como mãos e pés, também merecem atenção. Proteja-os com luvas e meias especiais. Caso tenha pouca proteção no telhado, use boné de suplex, para não esquentar demais a cabeça. Ao término da corrida troque a roupa molhada por roupas secas de imediato.

Não corra ensacado: os plásticos junto ao corpo elevam demais a temperatura interna, aumentam a sudorese e predispõem à desidratação.

Água fresca: mesmo no inverno se faz necessário a ingestão de água antes durante e após aos exercícios. Mantenha o hábito de se hidratar a cada 20 minutos com 200 ml de água durante a sua corrida diária. Durante o dia, 3 litros de água serão suficientes.

Indoor: se você é daqueles que prefere correr em um lugar sem vento ou frio, com temperatura aclimatizada, o melhor é optar pela esteira. Saiba que ela surgiu com essa finalidade em países como a Finlândia, onde seis meses por ano neva e os outros seis meses faz frio. Como os atletas olímpicos não tinham como treinar ao longo do ano, foram criados a esteira e o frequêncímetro.

Algo especial: Hoje às 6 horas da manhã, os termômetros registravam 7 graus, um dos dias mais frio do ano. Quando me dirigia para o Jardim Botânico, para minha surpresa, vi um corredor de calção e camiseta, suando - cheio de energia. Apesar da escuridão ao redor do Parque do Estado devido à mata atlântica nativa, era possível ver em seu rosto a felicidade por estar vivo - correndo.
Cada vez mais me convenço de que os corredores (as) são seres especiais.

Wanderlei de Oliveira

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Novo recorde na África do Sul


O russo Leonid Shvetsov é o novo recordista da Comrades Marathon prova de 87 quilômetros realizada todo dia 16 de junho (dia da juventude) na África do Sul, há 87 anos.
Shvetsov com 5h24min46seg estabelece a melhor marca para o percurso de subida. Com a vitória no circuito em descida no ano passado onde estabeleceu o recorde em 5h20min49 é o primeiro homem depois do sul-africano Bruce Fordyce a vencer nas duas direções.
Entre as mulheres a russa Elena Nurgalieva vence pela quarta vez (2003, 2004, 2006 e 2008) com 6h14min36. Nurgalieva tem o segundo melhor resultado para o circuito em descida de 6h07min40 (2003) e o recorde em subida com 6h09min24seg estabelecido em 2006.Pontualmente às 5h30 horas da manhã, ao som do canto do galo (que é o sinal de partida), mais de 11 mil corredores largaram de Durban (região litorânea em direção a Pietermaritzburg (cidade do interior da África do Sul).
Sua direção é invertida todos os anos.O tempo limite para completar o trajeto é de 12 horas.

História
Tudo começou no dia 24 de maio de 1921, onde apenas 34 corredores deram início a aventura. O vencedor foi o sul-africano Bill Rowan com 8h59min.Considerada a corrida mais difícil do mundo, Comrades (significa amigos em africâner, um dos onze idiomas oficiais), se destaca pelo duro trajeto de 87 quilômetros, dos quais 84 quilômetros são em subidas.
O sul-africano Bruce Fordyce com 5h24min07, foi o recordista por 21 anos (1986) do circuito em descida. Fordyce é considerado o rei de Comrades e, entrou para a história como o maior vencedor. Foram oito anos seguidos (81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88) e a nona vitória em 1990. O atleta mais famoso a vencer esta prova, foi o cubano naturalizado americano Alberto Salazar, em 1994; tri-campeão da famosa Maratona de Nova Iorque (80, 81 e 82), onde estabeleceu o recorde mundial de 2h08min13, em 1981. Salazar, também venceu a Maratona de Boston em 1982. Atualmente é técnico de cross-country em Portland, nos Estados Unidos.Para o feminino o melhor resultado é da americana Ann Trason, com 5h58min50, estabelecido no ano de 1997 (circuito em descida). Trason, também havia vencido em 1996; por várias vezes foi a vencedora da Western States 100 Mile (160 quilômetros) Endurance Run, nos Estados Unidos e, recordista mundial das 50 milhas (80 quilômetros), 100 milhas e dos 100 quilômetros.

Primeiro brasileiro a completar o percurso
Em 1997 acompanhei o Márcio Milan, diretor do Grupo Pão de Açúcar que aos 48 anos de idade que foi o primeiro brasileiro em 76 anos, a vencer este desafio, concluindo o percurso em 9h55min, média de 6min36 por quilômetro.

Wanderlei de Oliveira

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Geração flex


Há quinze anos as montadoras nacionais apostaram nos carros com motores que consomem álcool e/ou gasolina. O flex. O Brasil, com sua diversidade de riquezas naturais, sai vitorioso na batalha de preservação do meio ambiente e já este ano pode superar a frota de veículos flex dos Estados Unidos. Em 1991, foram os americanos que lançaram esse tipo de automóvel, Com a crise do petróleo e a dependência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), formada pelos países do Golfo Pérsico - Irã, Iraque, Kwait e Arábia. No final de 1975 o governo do Brasil lançava o programa Proálcool, depois da crise do petróleo de 1973. Foi a época em que o piloto de Fórmula 1 Émerson Fittipaldi corria com o Copersucar. É um erro pensar que os carros flex são “bicombustíveis”. Só pode ser qualificado bicombustível um carro abastecido por gás natural ou por gasolina, em que cada veículo tem seu próprio reservatório do combustível específico.
Com a campanha nacional de proibição de venda de bebidas alcoólicas nas rodovias, é comum vermos jovens apostando quem é o mais “fortão” e é capaz de “beber” mais. Mais vodka, mais uísque, mais cerveja, mais cachaça. Vinho é bebida de tiozão. De estômago vazio, isso vira uma bomba. Eles acham que funcionam como energético para impressionar os amigos e as namoradas.Puro engano! O que pode acontecer é destruir a saúde, a vida. Além de dar muita dor de cabeça no dia seguinte.
É também falsa a idéia de que “beber” só um pouquinho – relaxa. O primeiro efeito é a euforia, desinibição. A segunda, depressão falta de coordenação motora, sono e coma alcoólico. Seu uso freqüente degenera vários órgãos do corpo humano, estômago, fígado, coração e cérebro. As doenças mais graves apresentadas são cirrose, gastrite, anemia e úlceras.

Combustível do corredor
Nosso principal combustível, que gera energia e nos leva a correr longas distâncias são os alimentos naturais, frutas, carboidratos e muita água fresca.
70% do corpo humano é composto de água, daí a necessidade de ingerir no mínimo três litros de água por dia, principalmente se for um corredor de longa distância.
Uma forma prática de saber se esta bem hidratado é verificar a cor da sua urina, quanto mais escura, é sinal de pouca água no organismo.

Wanderlei de Oliveira

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Correndo nas nuvens


Em 1982, quando a Nike lançou o Pegasus, fui presenteado com um exemplar pelo triatleta e empresário Flávio Aronis. Desde então me tornei fã do modelo. Acredito ser o único a usar a mesma marca desde então e um dos poucos brasileiros há tantos anos correndo sem interrupções.

Cada par de tênis dura em média 500 quilômetros. Hoje aposentei um Nike Air Pegasus dos nove pares que uso ao longo do ano para treinos de rodagem e dois modelos do Nike Air Vomero 2, que revezo nos treinos de pista e competições. Nos Estados Unidos já foi lançado a versão 3 do Vomero no masculino e feminino.
A função do tênis é absorver o impacto. Para se recuperar de cada treino, eles precisam de 48 horas.
Daí a necessidade de revezá-los.
Ter no mínimo dois pares para rodagem e um par para treinos de qualidade, quem treina apenas quatro vezes por semana. Se treinar todos os dias como eu, são necessários onze pares.

Seus pés, joelhos, coluna, lhe agradecerão.

Nada como correr nas nuvens, já que não dá para voar.

6h05 da manhã. Décimo primeiro dia de junho de 2008. Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, estádio Ícaro de Castro Mello, Centro de Excelência BM&F de Atletismo, Ibirapuera, São Paulo. Completamos aos 1.773 quilômetros, em cento e sessenta e três dias (desde o primeiro dia de janeiro deste ano). A média está em 10,9 quilômetros por dia. O acumulado desde 1966 está em 73.908 quilômetros. Uma volta ao redor da Terra tem 39.840 quilômetros pela linha do Equador. . Faltam apenas 5772 quilômetros para completar duas voltas

Wanderlei de Oliveira

terça-feira, 10 de junho de 2008

Etiópia, tradição de grandes corredores.


Em 1960, o etíope Abebe Bikila, um negro magro, que corria descalço, surpreendeu o mundo quando venceu a Maratona dos Jogos Olímpicos de Roma, com 2h16min02s, recorde mundial na época.

Atualmente, o maior destaque desse país no atletismo internacional é o bicampeão olímpico dos 10.000 metros (Atlanta 96 e Sydney 2000), Haile Gebrselassie, 35, ex-recordista mundial de pista para os 10.000 metros 26min22s75, média de 2min38s por quilômetro, estabelecido em Hengelo, Holanda, no dia 1º de junho de 1998, e para os 5.000 metros, 12min39s36, média de 2min32s por quilômetro, em Helsinque, Finlândia, doze dias depois.

Em 2002, em Doha, no Catar, registrou o recorde mundial dos 10 km em rua, com 27min02s, recebendo um prêmio de 1 milhão de dólares pela conquista. Esta é uma prova especial para poucos convidados que vão de jatinho particular e ficam hospedados no castelo do xeique. Gebrselassie também foi recordista mundial dos 21 K (58min55) estabelecido em Phoenix nos Estados Unidos em janeiro de 2006. Atualmente é o recorde dos 42.195 metros com 2h04min26seg, conquistados em Berlim, no mês de setembro do ano passado.

O título de rei do cross-country pertencia ao queniano Paul Tegat, 38 que foi pentacampeão. O novo rei é Kenenisa Bekele de 25 anos, 1m74 e 66 quilos, que desde 2001 quando ainda era junior, venceu todas as edições do Campeonato Mundial de Cross-Country (6 vezes na categoria adulto). O atleta foi descoberto por Gebreselassie. Bekele foi medalha de ouro nos 10.000 metros (27min05) nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 e medalha de prata nos 5.000 metros (13min14). Na edição de número 36, realizada no mês de março em Edimburgo na Escócia, Bekele venceu os 12 quilômetros em grama com 34min38. O melhor brasileiro foi Marilson dos Santos com 37min17, na 54a. colocação. A Etiópia foi campeã por equipes.

Surge uma nova estrela
A nova estrela do atletismo etíope é a jovem Tirunesh Dibaba de 23 anos, que no último sábado, dia 07, bateu o recorde mundial nos 5.000 metros feminino em Oslo, na Noruega com o tempo de 14min11seg15milésimos. Ao final da prova declarou que é possível correr mais forte. Na mesma prova, Tirunesh Dibaba estava acompanhada por sua irmã Ejegayehu Dibaba que chegou a liderar a prova na parcial dos 3000 metros com 8min3seg83. Ejegayehu completou os 5.000 metros na terceira colocação com 14min3seg78.

Wanderlei de Oliveira